Música e futebol: uma relação de sempre

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Em um país como o Brasil, no qual o racismo é notadamente estrutural, alguns terrenos são mais ou menos favoráveis à ascensão social. O futebol e a música, em especial o samba, são terrenos que favorecem a ascensão. Não há jogo do bicho que dê jeito, o jeito é jogar bola e batucar.

No Brasil, mais que terreno favorável, futebol e música, música e futebol se entrelaçam, se misturam como em nenhum outro lugar, formatando um território exclusivo. Como em um amálgama, a música, mais especificamente, o samba e o futebol se entrecruzam historicamente e promovem uma adequação social única no mundo. Poderíamos aqui, redigir um verdadeiro tratado sociológico discorrendo sobre as mais profundas relações entre a música e o futebol, seja nas relações pessoais, por exemplo, Elza Soares e Garrincha, seja nas relações sociais, como no caso de times de futebol que originam escolas de samba, ou o contrário, mas vamos nos deter nas músicas que homenageiam o futebol.

São vários os músicos e compositores que em suas canções homenagearam o futebol. A banda mineira Skank, por exemplo, lançou em 1996, a canção “É uma partida de futebol”, um sucesso imediato e retumbante que na sua primeira estrofe deixa claro “bola na trave não altera o placar…”, ou seja, nada de jogar para empatar. A música faz parte do álbum “O Samba Paconé”. e levou o prêmio MTV Video Music Award Brasil, escolha da audiência daquele ano. A composição ficou a cargo do cruzeirense Samuel Rosa e do são-paulino Nando Reis. No videoclipe da canção, as torcidas de Cruzeiro e Atlético Mineiro eram homenageadas.

Quem sabe a canção mais famosa já composta para o futebol seja “Fio Maravilha”, de Jorge Benjor. Como bom flamenguista que de bobo não tem nada, Jorge foi providencialmente criativo em escolher um jogador rubro-negro que tinha pouco glamour, mas decidia em jogos importantes, como o alvo de sua composição. O jogador em questão era João Batista de Salles, apelidado de ¨Fio Maravilha¨. Grande sucesso que embalou os torcedores do Flamengo no Maracanã.

Neguinho da Beija Flor compôs o samba “O campeão”, como um verdadeiro tributo, um hino geral para as torcidas do Rio de Janeiro quando jogam no Maracanã, porém com maior identificação do torcedor flamenguista. Uma grande curiosidade é que a música de Neguinho da Beija-Flor foi composta em homenagem ao Vasco, pois tinha sido feita para um amigo vascaíno do compositor. A versão era “domingo, eu vou ao Maracanã, vou torcer pro Vasco que sou fã…”, porém Neguinho resolveu englobar todas as torcidas e trocar o trecho por ¨vou torcer pro time que sou fã¨. O samba virou canto das torcidas.

A nova geração de compositores, principalmente oriundos do rap e do funk, também vem se destacando quando o assunto é futebol. Mc Guime e Emicida compuseram “País do futebol”. A música foi lançada em 2013, para homenagear o craque Neymar, o objetivo principal era o de retratar o poder de superação do brasileiro. Fez sucesso nas paradas de sucesso em 2014 e foi indicada a vários prêmios, vencendo um, o da Capricho Awards. O clipe tem a participação de Neymar Jr.

Assim como a canção do Skank, “Eu quero ver gol”, do Rappa, foi lançada em 1996, porém uma nova versão de 2005, para o Acústico MTV, atingiu maior sucesso. O músico Falcão no acústico menciona o nome dos atletas que possivelmente jogaram na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha. Foi outro grande sucesso tendo como tema o futebol.

A relação, de fato, é muito intensa e extrapola a mera questão da conveniência estética. Para o professor do Programa de Pós-Graduação em Música do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Amilcar Bezerra, a relação “música e futebol se dá mais com canções festivas e carnavalescas”, e cita como exemplo as muitas canções que serviram como tema para as participações da seleção brasileira em copas do mundo.

Gêneros como o samba ecoam nos “esquentas” que precedem as partidas de futebol, fato que, segundo o compositor Cannibal, “faz pensar que o time vai melhorar com uma charanga tocando mais alto”. Para a banda Sambstar que faz show na sede do Sport, instigando rubro-negros antes do início dos jogos do time na Ilha do Retiro, o samba é o ritmo preferido de torcedores e de jogadores também.

E é desde sempre. Quando o Brasil se sagrou campeão sul-americano pela primeira vez, em 1919, no Rio de Janeiro, coube a Pixinguinha e Benedito Lacerda dar o tom de choro à “Um a Zero”, em menção ao placar do título – a canção ganhou letra na década de 1960, com Nelson ngelo, cujos versos descrevem a saga. Dos tantos e talentosos compositores que deram notas musicais e versos ao futebol, destacamos os gênios Lamartine Babo, Ary Barroso e Chico Buarque com “O Futebol”, canção de 1989.

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